quinta-feira, janeiro 28, 2010

Ensina lá...

«A Câmara Municipal de Lisboa demitiu-se de fiscalizar o contrato-programa que assinou com o Benfica em Julho de 2002 que se traduziu num apoio de quase 65,4 milhões de euros para a construção do novo Estádio da Luz, para o Euro 2004. O próprio acordo previa a nomeação de uma Comissão de Acompanhamento, responsável por controlar o cumprimento do contrato, mas tal comissão só foi criada mais de quatro anos após a assinatura do documento, em Novembro de 2006. E nunca reuniu, nem tomou qualquer decisão.
Um inquérito feito por um outra administração da própria EPUL detectou mais irregularidades. A empresa pagou inúmeras despesas realizadas antes da assinatura do contrato-programa, em Julho de 2002. Além disso, 80 por cento das que respeitavam o prazo diziam respeito a “assessorias e consultorias”.
Outra anomalia detectada foi o pagamento de 9,975 milhões de euros pela EPUL ao Benfica em 31 de Dezembro de 2004, pelos eventuais lucros da construção de 200 fogos num terreno no Vale de Santo António, habitações essas que até hoje ainda não foram construídas. Em violação do contrato de execução, a EPUL pagou ainda 32,4 milhões de euros do terreno que o Benfica vendeu (imóvel este doado ao clube pela câmara) entre Janeiro e Novembro de 2003, apesar da escritura de compra e venda ter sido realizada só em Setembro de 2004.»

(in Público)

Agora quero ver os benfiquistas a assobiarem para o ar, uns, enquanto que os outros, aqueles que se julgam muito espertos, vão dizer que assim é que é fazer negócio.

Há uns tempos atrás, quando se falava sobre o modo como o dinheiro aparecia no benfica para a compra dos jogadores, LFV disse que não ensinava como era. Agora está explicado porque ele não podia ensinar.

No clube do regime vale tudo.

2 comentários:

Anónimo disse...

http://www.tcontas.pt/pt/actos/rel_auditoria/2005/audit-dgtc-rel037-2005-2s-v1.pdf

"Segundo o Tribunal de Contas, o Estádio do Dragão recebeu 137,6 Milhões de euros de apoios directos e 88,4 Milhões de euros de apoios indirectos, o que prefaz um total de 226 Milhões de euros!!"

Mais isto:

"Inspecção-Geral de Finanças

Finanças dizem que Câmara favoreceu FCP em 55 milhões (JN 2004-10-09)

“A execução do Plano de Pormenor das Antas terá causado um "rombo" equivalente a cerca de 87 milhões de euros no património da Câmara Municipal do Porto. É uma das conclusões que se pode retirar da leitura do relatório final da Inspecção-Geral de Finanças (IGF), em que se destacam os 55 milhões de euros atribuídos pela autarquia, de forma "ilegal", ao Futebol Clube do Porto (FCP). O inspector-geral remeteu o relatório para o Ministério Público, justificando a decisão com os "indícios de favorecimento" ao clube. Segundo o actual presidente, Rui Rio, o processo já originou uma investigação. (…)

Como se pode ler nas páginas do relatório, a que o JN teve acesso, a cedência de parcelas e da respectiva capacidade de construção ao clube foi avaliada, na altura, pela Câmara liderada por Nuno Cardoso, em 27 milhões de euros (tendo em conta um valor de venda de 300 euros por m2). Os auditores acrescentam, no entanto, que os lotes em questão estavam destinados à construção de um centro comercial e um hotel, o que significa que teriam de ser avaliados em 750 euros por m2. Contas feitas, aos 27 milhões que a autarquia admitia estar a dar ao FCP haverá que somar 28,5 milhões de euros. Ou seja, a "prenda" da Câmara vale 55,5 milhões.” In Jornal de Notícias".


E você,assobia para onde?

low desert puke disse...

"O Benfica não foi o único a beneficiar dos dinheiros camarários no âmbito da construção dos estádios do Euro. O Sporting também recebeu apoios, nomeadamente verbas relativas a futuros lucros provenientes da construção de prédios em terrenos camarários. Tal como no caso do Benfica, as casas continuam por fazer, mas o dinheiro transitou há muito para as mãos do clube. “O município de Lisboa (...) concedeu apoios que se consubstanciaram na compra e doação de imóveis e equipamentos, considerados avultados, que se traduziram num desequilíbrio a favor dos clubes”, descreve uma auditoria do Tribunal de Contas de 2005. Até este ano, os financiamentos somavam perto de 60 milhões de euros, dos quais 50 tinham sido entregues ao clube “encarnado”. Os restantes dez milhões foram para Alvalade. A isto há ainda que somar as autorizações de construção em grande escala dadas ao Sporting, em terrenos em redor do estádio, um processo que a autarquia só agora está a terminar.
Fora deste pacote de apoios, os “leões” beneficiaram ainda do facto de a Empresa Pública de Urbanização de Lisboa ter abandonado em 2003 a sua sede no Lumiar, de que era proprietária, para se mudar para o edifício Visconde de Alvalade, do Sporting, que lhe custava 700 mil euros por ano - isto é, dois mil euros dia. Ficou por lá seis anos. Ontem o assessor de imprensa do Sporting não quis comentar estes factos."


Continua a assobiar...