sexta-feira, março 16, 2012
Um pouco de história ... para quem tem memória curta
Curiosamente, e para gáudio de algumas pessoas, particularmente os adeptos encarnados, as duas equipas que tombaram nas mãos dos portugueses foram as mesmas equipas que fizeram tombar o FC Porto nas competições europeias. O Zenit faz o FC Porto cair na Liga dos Campeões e o Man. City faz o FC Porto cair na Liga Europa.
Ora este é o motivo deste texto.
Na rede social mais utilizada, o Facebook, tive de ver uns tristes comentários alusivos a este tema. Os comentários não eram de satisfação pela passgam dos clubes de Lisboa, eram de satisfação pelo FC Porto ter ficado de fora. O ponto de encontro nos vários comentários era a alusão ao facto do FC Porto não estar em competição porque ... não comprava os árbitros ... a fruta era diferente ... etc.
Para os que têm memória curta, para aqueles que não querem ter memória, para os que não sabem ver futebol, para todos os idiotas que ficam mais felizes com a desgraça do FC Porto do que com as vitórias da sua equipa ou de outras equipas portuguesas, eis um pouco de história.
Liga dos Campeões:
1986/87: Futre inspira FC Porto
FC Porto 2-1 FC Bayern München
Em 1986/87, era preciso recuar 25 anos até uma vitória portuguesa na Taça dos Clubes Campeões Europeus. Mas eis que surgiu o FC Porto no panorama internacional, surpreendendo o FC Bayern München na final, por 2-1. A equipa dirigida por Artur Jorge reagiu ao golo inaugural do adversário, apontado aos 26 minutos por Ludwig Kogl, conseguindo dominar o "gigante" bávaro. No entanto, até ao momento em que se começou a desenhar essa brilhante segunda parte protagonizada pelo conjunto portista, quase ninguém ousava apostar na vitória do FC Porto.
2003/04: FC Porto volta a surpreender
AS Monaco FC 0-3 FC Porto
O FC Porto deu a melhor sequência ao triunfo na Taça UEFA de 2003 ao vencer a UEFA Champions League em 2004, com um triunfo por 3-0 frente ao AS Monaco FC, em Gelsenkirchen. A disciplinada equipa de José Mourinho teve no "playmaker" Deco o seu principal dinamizador e, tal como acontecera em 1987, os portistas voltaram a surpreender a Europa.
Liga Europa:
2002/03: FC Porto de Mourinho inicia epopeia
Celtic 2-3 FC Porto
A Taça UEFA de 2002/03 colocou em confronto duas das melhores equipas da Europa e dois dos mais jovens e talentosos treinadores: José Mourinho pelo lado do FC Porto e Martin O'Neill pelo Celtic FC. No entanto, foi o técnico português quem levou a melhor, com o "special one" a afirmar-se na Europa com um triunfo emocionante, no prolongamento, em Sevilha. Foi uma final emotiva, entre duas das equipas mais empolgantes da prova. Henrik Larsson terminou a competição com 11 golos, menos um que Derlei, do FC Porto, cujo golo da vitória foi o primeiro a decidir a atribuição da Taça UEFA através do "golo de prata".
2010/11: Porto voa nas asas de Falcao
Porto 1-0 Braga
O Sp. Braga defrontou seis equipas com troféus europeus na caminhada até à final de 2010/11, mas o gigante FC Porto mostrou-se intransponível, repelindo os golpes dos "guerreiros do Minho", antes de Falcao aplicar o golpe de misericórdia. Tal como aconteceu na primeira edição da UEFA Europa League, uma equipa na qual poucos apostariam foi afastando adversários muito mais conceituados, antes de cair na final aos pés de um dos gigantes do futebol europeu. Viriam a ser boas notícias para o FC Porto, o "Golias" que repeliu os golpes que o Sp. Braga tentava aplicar, antes de Radamel Falcao derrubar os "guerreiros do Minho".
Supertaça Europeia:
1987: Sousa dá vitória ao FC Porto
AFC Ajax 0-1 FC Porto
FC Porto 1-0 AFC Ajax
(Porto vence 2-0 no total)
A SuperTaça Europeia foi disputada pela primeira vez nos moldes actuais em 1986, com a final a ser disputada num único jogo no Stade Louis II, no Mónaco. Isto não impediu que, em 1987, a competição voltasse a ser disputada em duas mãos.
O FC Porto chegou a este jogo com o estatuto de campeão europeu, depois de ter batido o FC Bayern München, por 2-1, no Estádio do Prater, em Viena. Do outro lado estava o AFC Ajax, uma equipa com muita experiência de grandes finais e que tinha vencido a primeira edição da prova, em 1973.
Aquilo que tenho a dizer aos tristes que fazem os comentários que fazem é: não sei se haverá assim tanto dinheiro para se comprar tantos árbitros, ou se a quantidade de fruta para exportar tem assim tanta qualidade, mas que os titulos estão aí, para verem e terem dor de cotovelo, isso estão.
Atenção. Não são alegrias por ter eliminido equipas. São alegrias por ter conquistado o titulo. Por ter chegado ao final da prova e ter vencido. Também não é por ter chegado apenas ao final. É por ter chegado ao final e vencer.
Tenho apenas 35 anos e nesses anos tive todas estas alegrias (fora de muros).
Quantos adeptos dos clubes de Lisboa, de qualquer outro clube português, raios, da maior parte dos clubes do mundo, consegue dizer que teve tantas alegrias como eu.
Continuem a ficar felizes com as vitórias sobre as equipas que derrotaram o FC Porto. Isso realmente só mostra que somos grandes e uma referência.
quarta-feira, janeiro 18, 2012
Exercício do exército
O cenário era tão surrealista que eu ainda comecei a procurar câmaras de filmar.
Depois de passar a aldeia de Santa Rita existe uma ponte,por cima da A22. Ao chegar a essa ponte dou de caras com alguns militares.
Junto a eles um cartaz que dizia “Check Point na ponte. Prepare I.D.”. Mesmo assim, com este misto de inglês e português.
Como é óbvio pensei logo que seria uma operação de fiscalização. Mas ninguém me mandou parar.
Em cima da ponte uma barricada. Mas uma barricada mesmo à filme. Uns paus cruzados, colocados estrategicamente na ponte para obrigar os carros e fazer uma gincana na sua deslocação. À entrada da ponte um soldado sentado no chão agarrado a uma metralhadora. No espaço da ponte vários soldados armados. No fim da ponte um outro soldado sentado agarrado a outra arma. Quando olhei para o monte à esquerda da ponte vi que havia outro soldado, com outra arma, como se fizesse o controlo da aproximação das viaturas à ponte.
A semelhança a uma cena de filme passava na minha cabeça a duzentos à hora.
Passei e ninguém me mandou parar. Apenas alguns militares levantaram a mão, como que a cumprimentar. Tipo um “Olá, obrigado por andares mais devagar. Vai lá á tua vida."
Durante o resto do percurso não pode de imaginar vários cenários, entre os quais uma passagem de alguém muito importante na A22 e os militares estavam a guardar a ponte. Um atentado a todas as pontes do A22. Um sem números se situações, todas elas hollywoodescas.
Quando efetuei a viagem de volta ia sempre pensando no que se estaria a passar na ponte. Não fiquei espantado quando verifiquei que o cenário ainda estava montado.
Foi com alguma tristeza, um misto de desilusão e de confirmação, que ao chegar de novo ao local e depois de parar o carro e abrir o vidro um dos militares diz: “Vá devagar que temos aqui uma espécie de barricada na ponte”.
Foi uma sensação de … “o quê???” …. “só isso????” … “é apenas um exercício????” … “não há atentados à ponte???...
Afinal era apenas e só um exercício.
Obrigado por terem estragado os meus cenários hollywoodescos.
Raios partam.
quarta-feira, março 03, 2010
O prior de Trancoso ...

«Do: Arquivo Nacional da Torre do Tombo
Sentença proferida em 1947 no processo contra o Prior de Trancoso (Autos arquivados na Torre do Tombo, armário 5, maço 7)
"Padre Francisco da Costa, prior de Trancoso, de idade de setenta e dois anos, será degredado de suas ordens e arrastados pelas ruas públicasnos rabos dos cavalos, esquartejado o seu corpo e postos os quartos, cabeça e mãos em diferentes distritos, pelo crime que foi arguido e que ele mesmo não contrariou, sendo acusado de dormir com vinte e nove afilhadas e tendo delas noventa e sete filhas e trinta e sete filhos; de cinco irmãs teve dezoito filhas; de nove comadres trinta e oito filhos e dezoito filhas; de sete amas teve vinte e nove filhos e cinco filhas; de duas escravas teve vinte e um filhos e sete filhas; dormiu com uma tia chamada Ana da Cunha, de quem teve três filhas, da própria mãe teve dois filhos. Total: duzentos e noventa e nove filhos, sendo duzentor e catorze do sexo feminino e oitenta e cinco do sexo masculino, tendo concebido em cinquenta e três mulheres".
"El-Rei D.João II lhe perdoou a morte e o mandou pôr em liberdade aos dezassete dias do mês de Março de 1487, com o fundamento de ajudar a povoar aquela região da Beira Alta, tão despovoada ao tempo, e guardar no Real Arquivo esta sentença, devassa e mais papeis que formaram o processo"