"Em determinado período da minha carreira cheguei a um clube que tinha uma grande equipa, um belíssimo treinador e um presidente carismático. Para além destas qualidades, existiram outros ingredientes que facilitaram o nosso percurso vitorioso. Devo dizer que antes de ir para este clube nunca tinha tido qualquer experiência com doping (pelo menos conscientemente)"
"No meu tempo, o doping era tomado de duas formas: através de injecção ou por recurso a comprimido. Podia ser antes do jogo, no intervalo, ou com a partida a decorrer, no caso daqueles que saíam do banco (...) A injecção tinha efeito imediato, enquanto os comprimidos precisavam de ser tomados cerca de uma hora antes do jogo"
"Se um jogo fosse ao domingo, o nosso médico sabia na sexta ou no sábado quais as partidas que iriam estar sob a tutela do controlo antidoping. Mal tinha acesso à informação, avisava todo o plantel e o dia de jogo acabava por ser directamente influenciado por essa dica"
"Em determinada temporada (...) sou convocado para um encontro particular da Selecção Nacional. (...) Faço uma primeira parte fantástica, mas ao intervalo começo a sentir-me cansado e tenho medo de não aguentar o ritmo (...) O jogo realiza-se num estádio português (...) Estão lá um médico e um massagista de um clube onde jogo (...) No intervalo, peço a esse médico para me dar uma das suas injecções de doping. Saio do balneário da Selecção, sem que ninguém se aperceba, e entro numa salinha ao lado. É aí que me dão a injecção pedida por mim. Volto a frisar que ninguém da Selecção se apercebeu"
"Lembro-me de um jogo das competições europeias contra uma equipa que tinha três campeões do mundo no seu plantel. Um deles era um poderoso avançado no jogo aéreo. (...) Apanhei-o várias vezes no meu terreno de acção. Ele era um armário, com um tremendo poder de impulsão. Mas nesse dia eu saltei que nem um louco e ganhei-lhe quase todas as bolas de cabeça (...) O meu segredo: uma pequena vacina, do tamanho de meia unha, chamada Pervitin"
(excerto do livro "Jogo Sujo" in Record)
"Passou pelo Sporting, Benfica e FC Porto. Em algum deles, assistiu a práticas de doping?
Não. Não vi nada disso nos “grandes”. Curiosamente, quando fiz este livro, as pessoas pensavam que o alvo disto era o FC Porto e tive o cuidado de explicar que não. Passei a minha carreira toda a ouvir que no FC Porto se fazia isto e aquilo, mas tive o prazer de jogar num clube com pessoas fantásticas. Nunca se falou disso e não ponho em causa a seriedade das pessoas."
(Fernando Mendes em entrevista ao Público)
"Foi o ponto alto da minha carreira, mas a maior mágoa foi ir mais vezes à Selecção quando não jogava no meu clube do que quando jogava. No Porto, por exemplo, fui titular durante três anos e nunca fui convocado."
(Fernando Mendes sobre a Selecção Nacional numa entrevista ao UniversoFutebol)
Vamos lá ver se nos entendemos. Primeiro assume que tomou doping, que esse doping lhe era ministrado pelo masagista, diz que num jogo da Liga dos Campeões usou doping, e depois em entrevista diz que "nunca vi nada disso nos grandes".
Ainda que diga que não viu no FC Porto, agora que nunca viu em nenhum, isso custa-me a acreditar, sabendo que na sua altura não eram assim tantas equipas a jogar na Liga dos Campeões.
Fazendo uma análise ao que foi escrito, e tendo em conta que confessa ter utilizado doping em jogos da selecção, e como ele próprio indica nunca foi convocado para a selecção quando esteve no FC Porto, é fácil confirmar que o uso de doping não foi no FC Porto.
Fica assim no ar saber em qual dos clubes que Fernando Mendes representou lhe foi administrada a dose, e é preciso ter em conta que ele, para além de Sporting, Benfica e FC Porto, jogou também no Boavista, Belenenses, E. Amadora e V. Setúbal.
É uma boa oportunidade de haver mais interacção aqui no blog e de vocês darem a vossa opinião.